sábado, 29 de dezembro de 2007

Domingo, dia 30 de Dezembro de 2007- SAGRADA FAMÍLIA


Evangelho segundo S. Mateus 2,13-15.19-23.

Depois de partirem, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: «Levanta-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egipto e fica lá até que eu te avise, pois Herodes procurará o menino para o matar.»
E ele levantou-se de noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egipto,
permanecendo ali até à morte de Herodes. Assim se cumpriu o que o Senhor anunciou pelo profeta: Do Egipto chamei o meu filho.
Morto Herodes, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, no Egipto,
e disse-lhe: «Levanta-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel, porque morreram os que atentavam contra a vida do menino.»
Levantando-se, ele tomou o menino e sua mãe e voltou para a terra de Israel.
Porém, tendo ouvido dizer que Arquelau reinava na Judeia, em lugar de Herodes, seu pai, teve medo de ir para lá. Advertido em sonhos, retirou se para a região da Galileia
e foi morar numa cidade chamada Nazaré; assim se cumpriu o que foi anunciado pelos profetas: Ele será chamado Nazareno.

Jean Tauler (c. de 1300-1361), dominicano em Estrasburgo
Sermão nº 2, para a vigília da Epifania

"Levanta-te... porque morreram aqueles que atentavam contra a vida do Menino"



Quando José estava no exílio com o Menino e sua mãe, soube pelo anjo, durante o sono, que Herodes tinha morrido; mas, ao ouvir dizer que o seu filho Arquelau reinava no país, continuou a ter grande receio de que o Menino fosse morto. Herodes, que perseguia o Menino e o queria matar, é o mundo que, sem dúvida alguma, mata o Menino, o mundo de onde é necessário fugir se se quer salvar o Menino. Mas, uma vez que se fugiu exteriormente do mundo..., eis que Arquelau se levanta e reina: há ainda todo um mundo em ti, um mundo do qual tu não triunfarás sem muita aplicação e sem o socorro de Deus.

Porque há três inimigos fortes e encarniçados a vencer em ti e é com dificuldade se alguma vez se triunfa deles. Serás atacado pelo orgulho do espírito: queres ser visto, considerado, escutado... O segundo inimigo é a tua própria carne que te provoca pela impureza corporal e espiritual... O terceiro inimigo é aquele que te ataca, inspirando-te a malvadez, os pensamentos amargos, as suspeitas, os julgamentos malévolos, a raiva e os desejos de vingança... Queres tornar-te cada vez mais querido de Deus? Deves renunciar completamente a tais atitudes, porque tudo isso é Arquelau, o malvado. Receia e fica atento; na verdade, ele quer matar o Menino...

José foi avisado pelo anjo e chamado a regressar ao país de Israel. Israel significa «terra da visão»; Egipto quer dizer «trevas»... É durante o sono, é só num verdadeiro abandono e na verdadeira passividade que receberás o convite para sair delas, tal como aconteceu a José... Podes então dirigir-te para a Galileia, que quer dizer «passagem». Ali está-se acima de todas as coisas, tudo se atravessou, e chegou-se a Nazaré, «a verdadeira floração», o país onde desabrocham flores para a vida eterna. Ali está-se certo de encontrar um verdadeiro aperitivo da vida eterna; alí está toda a segurança, a paz inexprimível, a alegria e o repouso; ali só chegam os que se abandonam, os que se submetem a Deus até que Ele os liberte e que não procuram libertar-se a si mesmos pela violência. São esses os que alcançam essa paz, essa floração, Nazaré, e ali encontram o que lhes dará a alegria eterna. Que isso seja a nossa partilha comum, que a isso nos ajude o nosso Deus, digno de todo o amor!

Domingo, dia 30 de Dezembro de 2007- SANTO DO DIA

Hoje a Igreja celebra : Beata Margarida Colona, religiosa, +1280,


Margarida nasceu em 1255, no castelo de seus pais a 40 quilómetros de Roma. Perdeu o pai pouco depois de nascer e a mãe aos dez anos. Foi posta sob a tutela de seu irmão João.

Quando atingiu dezoito anos e a quis casar, João verificou que, tanto Margarida como seu irmão Tiago, se tinham apaixonado pelos ideais franciscanos e nada os pôde demover.

Tiago chegou a cardeal defensor da Ordem, enquanto Margarida se retirou para um pequeno convento, dizendo ter sido agraciada com uma aparição da Virgem Maria. Não estando sujeita a clausura, pôde entregar-se às obras de caridade, especialmente junto dos Irmãos Menores doentes e dos leprosos


Santo Anísio, bispo, +407
Santo Eugénio, fundador, +1861
S. Rogério, bispo, séc. XII
S. Fulgêncio, bispo, +532




sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Sábado, 29 de Dezembro de 2007- SANTO DO DIA E REFLEXÃO

Hoje a Igreja celebra : S. Tomás Becket, bispo, mártir, +1170




Nasceu em Londres em 1118. Foi clérigo de Cantuária e chanceler do reino, sendo eleito bispo em 1162. Defendeu corajosamente os direitos da Igreja contra Henrique II; este condenou-o ao desterro na França durante seis anos. Voltando à pátria, teve de sofrer ainda numerosas dificuldades, até que os guardas reais o mataram em 1170.





Evangelho segundo S. Lucas 2,22-35.

Quando se cumpriu o tempo da sua purificação, segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentarem ao Senhor,
conforme está escrito na Lei do Senhor: «Todo o primogénito varão será consagrado ao Senhor»
e para oferecerem em sacrifício, como se diz na Lei do Senhor, duas rolas ou duas pombas.
Ora, vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão; era justo e piedoso e esperava a consolação de Israel. O Espírito Santo estava nele.
Tinha-lhe sido revelado pelo Espírito Santo que não morreria antes de ter visto o Messias do Senhor.
Impelido pelo Espírito, veio ao templo, quando os pais trouxeram o menino Jesus, a fim de cumprirem o que ordenava a Lei a seu respeito.
Simeão tomou-o nos braços e bendisse a Deus, dizendo:
«Agora, Senhor, segundo a tua palavra, deixarás ir em paz o teu servo,
porque meus olhos viram a Salvação
que ofereceste a todos os povos,
Luz para se revelar às nações e glória de Israel, teu povo.»
Seu pai e sua mãe estavam admirados com o que se dizia dele.
Simeão abençoou os e disse a Maria, sua mãe: «Este menino está aqui para queda e ressurgimento de muitos em Israel e para ser sinal de contradição;
uma espada trespassará a tua alma. Assim hão-de revelar-se os pensamentos de muitos corações.»

Beato João XXIII (1881-1963), papa Diário da Alma, § 1958-1963



“Agora, Senhor, podes deixar partir em paz o teu servo”


Depois da minha primeira Missa no túmulo de São Pedro, as mãos do Santo Padre Pio X pousavam na minha cabeça em bênção de augúrio para mim e para a minha vida sacerdotal incipiente; mais de meio século depois (exactamente cinquenta e seis anos), as minhas pobres mãos abrem-se sobre os católicos – e não só sobe os católicos – do mundo inteiro em gesto de paternidade universal, como sucessor do mesmo Pio X proclamado santo, e que sobrevive nesse seu sacerdócio e dos seus antecessores e sucessores, encarregados como São Pedro do governo de toda a Igreja, una, santa, católica e apostólica.

São estas palavras sagradas que superam qualquer meu sentimento de inimaginável exaltação pessoal, e me deixam na profundidade do meu nada, elevado à sublimidade de um ministério que ultrapassa em altura toda a minha dignidade humana.

Quando, no dia 28 de Outubro de 1958, os cardeais da Santa Igreja romana me designaram para a suprema responsabilidade do governo da grei universal de Cristo Jesus, aos setenta e sete anos de idade, foi geral a convicção de que seria um Papa provisório, de transição. Contudo, aqui estou em vésperas do quarto ano de pontificado, com um vasto programa diante de mim que é preciso realizar diante do mundo inteiro que olha e espera. Quanto a mim, encontro-me como São Martinho: “Nem temo a morte, nem recuso a vida.”

Devo estar sempre preparado para morrer, mesmo imediatamente, e para viver o que o Senhor houver por bem deixar-me aqui em baixo. Sim, sempre. Às portas do meu octogésimo aniversário devo estar disposto: a morrer e a viver; em qualquer dos casos, a atender à minha santificação. Tal como em todos os lugares me chamam – Santo Padre – assim devo e quero ser realmente.


quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Sexta Feira, dia 28 de Dezembro de 2007- REFLEXÃO DO DIA




Evangelho segundo S. Mateus
2,13-18.


Depois de partirem, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: «Levanta-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egipto e fica lá até que eu te avise, pois Herodes procurará o menino para o matar.»
E ele levantou-se de noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egipto,
permanecendo ali até à morte de Herodes. Assim se cumpriu o que o Senhor anunciou pelo profeta: Do Egipto chamei o meu filho.
Então Herodes, ao ver que tinha sido enganado pelos magos, ficou muito irado e mandou matar todos os meninos de Belém e de todo o seu território, da idade de dois anos para baixo, conforme o tempo que, diligentemente, tinha inquirido dos magos.
Cumpriu-se, então, o que o profeta Jeremias dissera:
Ouviu-se uma voz em Ramá, uma lamentação e um grande pranto: É Raquel que chora os seus filhos e não quer ser consolada, porque já não existem.

Santo Quodvultdeus, bispo em Cartago de 437 a 453
Sermão 2 sobre o Credo


Filhos e testemunhas de Cristo


Por que tens medo, Herodes, de ouvir dizer que nasceu um rei? Ele não veio destronar-te, veio vencer o demónio. Mas tu não compreendes que assim é, tens medo e enfureces-te. Para matares a criança que procuras, tornas-te o cruel assassino de um grande número de infantes. Nada te detém, nem o amor das mães lavadas em lágrimas, nem o luto dos pais que choram os seus filhos, nem os gritos e os gemidos das próprias crianças. Massacras o corpo destes pequenos porque o medo te mata o coração. E julgas que, se conseguires realizar os teus objectivos, viverás muito tempo, quando é a própria vida que procuras matar. Aquele que é a fonte da graça, que é simultaneamente pequeno e grande, que está deitado numa manjedoura, faz tremer o trono onde te sentas. Através de ti, Ele realiza os Seus desígnios, mas realiza-os apesar de ti. Ele acolhe os filhos dos Seus inimigos e faz deles Seus filhos de adopção.

Esses pequenos morrem por Cristo sem o saberem; é a morte de mártires que seus pais choram. Quando ainda nem sabiam falar, Cristo tornou-os capazes de serem Suas testemunhas. Eis como reina este Rei, que opera já a libertação, que já dá a salvação. Tu, porém, Herodes, ignoras tudo isso; tu assustas-te e enfureces-te. E, irando-te contra uma criança pequena, colocas-te já ao Seu serviço sem o saberes.

Que grande é o dom da graça! Por que méritos conquistaram estas crianças a vitória? Ainda não sabem falar, e já confessam a Cristo. Sendo ainda fisicamente incapazes de empreender o combate, conquistam já a palma da vitória.

Sexta Feira, dia 28 de Dezembro de 2007- SANTO DO DIA

SANTOS INOCENTE, MÁRTIRES, SÉC. I


A Igreja honra como mártires este coro de crianças, vítimas do terrível e sanguinário rei Herodes, arrancadas dos braços das suas mães para escrever com o seu próprio sangue a primeira página do álbum de ouro dos mártires cristãos e merecer a glória eterna, segundo a promessa de Jesus: "Quem perder a vida por amor a mim há-de encontrará-la." Para eles a liturgia repete hoje as palavras do poeta Prudêncio: "Salvé, ó flores dos mártires, que na alvorada do cristianismo fostes massacrados pelo persseguidor de Jesus, como um violento furacão arranca as rosas apenas desabrochadas! Vós fostes as primeiras vítimas, a tenra grei imolada, num mesmo altar recebestes a palma e a coroa."
O episódio é narrado somente pelo evangelista Mateus, que se dirigia principalmente aos leitores hebreus e, portanto, tencionava demonstrar a messianidade de Jesus, no qual se realizaram as antigas profecias: "Quando Herodes descobriu que os sábios o tinham enganadom ficou furioso. Mandou matar em Belém e nos arredores todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo que ele tinha apurado pelas palavras dos sábios. Foi assim que se cumpriu o que o profeta Jeremias tinha dito: Em Ramá se ouviu um grito: coro amargo, imensa dor. É Raquel a chorar seus filhos; e não quer ser consolada, porque eles já não existem."
A origem desta festa é muito antiga. Aparece já no calendário cartaginês do século IV e cem anos mais tarde em Roma no Sacramentário Leonino. Hoje, com a nova Reforma Litúrgica, a celebração tem um carácter jubiloso e não mais de luto, como o era antigamente, e isto em sintonia com os simpáticos costumes medievais, que celebravam nestas circunstâncias a festa dos meninos do coro e do serviço do altar. Entre as curiosas manifestações temos aquela de fazer descer os cónegos dos seus lugares ao canto do versículo: "Depôs os poderosos do trono e exaltou os humildes."
Deste momento em diante, os meninos, revestidos das insígnias dos cónegos, dirigiam todo o ofício do dia. A nova liturgia, embora não querendo ressaltar o carácter folclórico que este dia teve no curso da história, quis manter esta celebração, elevada ao grau de festa por São Pio V, muito próxima da festa do Natal. Assim colocou as vítimas inocentes entre os companheiros de Cristo, para circundar o berço de Jesus Menino de um coro gracioso de crianças, vestidas com as cândidas vestes da inocência, pequena vanguarda do exército de mártires que testemunharão, com o sangue, a sua pertença a Cristo.


quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Quinta-feira, dia 27 de Dezembro de 2007- REFLEXÃO DIÁRIA DA PALVRA DE DEUS

Evangelho segundo S. João 20,2-8.

Correndo, foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, o que Jesus amava, e disse-lhes: «O Senhor foi levado do túmulo e não sabemos onde o puseram.»
Pedro saiu com o outro discípulo e foram ao túmulo.
Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo correu mais do que Pedro e chegou primeiro ao túmulo.
Inclinou-se para observar e reparou que os panos de linho estavam espalmados no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no túmulo e ficou admirado ao ver os panos de linho espalmados no chão,
ao passo que o lenço que tivera em volta da cabeça não estava espalmado no chão juntamente com os panos de linho, mas de outro modo, enrolado noutra posição.
Então, entrou também o outro discípulo, o que tinha chegado primeiro ao túmulo. Viu e começou a crer.

Comentário ao Evangelho do dia feito por : Papa Bento XVI
O ensinamento do Apóstolo S. João

O ensinamento do Apóstolo S. João


Se existe um assunto característico que mais sobressai nos escritos de João, é o amor. Não foi por acaso que quis iniciar a minha primeira Carta encíclica com as palavras deste Apóstolo: "Deus é amor (Deus caritas est); quem está no amor habita em Deus e Deus habita nele" (1 Jo 4, 16). É muito difícil encontrar textos do género noutras religiões. Portanto, tais expressões põem-nos diante de um dado verdadeiramente peculiar do cristianismo. Certamente João não é o único autor das origens cristãs que fala do amor. Sendo este um elemento essencial do cristianismo, todos os escritores do Novo Testamento falam dele, mesmo se com acentuações diferentes. Se agora nos detemos a reflectir sobre este tema em João, é porque ele nos traçou com insistência e de modo incisivo as suas linhas principais. Portanto, confiemo-nos às suas palavras. Uma coisa é certa: ele não reflecte de modo abstracto, filosófico, ou até teológico, sobre o que é o amor. Não, ele não é um teórico. De facto, o verdadeiro amor, por sua natureza, nunca é meramente especulativo, mas faz referência directa, concreta e verificável a pessoas reais. Pois bem, João, como apóstolo e amigo de Jesus mostra-nos quais são os componentes ou melhor as fases do amor cristão, um movimento caracterizado por três momentos.
O primeiro refere-se à própria Fonte do amor, que o Apóstolo coloca em Deus, chegando, como ouvimos, a afirmar que "Deus é amor" (1 Jo 4, 8.16). João é o único autor do Novo Testamento que nos dá uma espécie de definição de Deus. Ele diz, por exemplo, que "Deus é Espírito" (Jo 4, 24) ou que "Deus é luz" (1 Jo 1, 5). Aqui proclama com intuição resplandecente que "Deus é amor". Observe-se bem: não é simplesmente afirmado que "Deus ama", nem sequer que "o amor é Deus"! Por outras palavras: João não se limita a descrever o agir divino, mas procede até às suas raízes. Além disso, não pretende atribuir uma qualidade a um amor genérico e talvez impessoal; não se eleva do amor a Deus, mas dirige-se directamente a Deus para definir a sua natureza com a dimensão infinita do amor. Com isto João deseja dizer que o constitutivo essencial de Deus é o amor e, portanto, toda a actividade de Deus nasce do amor e está orientada para o amor: tudo o que Deus faz é por amor, mesmo se nem sempre podemos compreender imediatamente que Ele é amor, o verdadeiro amor.



Quinta-feira, dia 27 de Dezembro de 2007- SANTO DO DIA

SÃO JOÃO, APÓSTOLO E EVANGELISTA


João, filho de Zebedeu e de Salomé, irmão de Tiago Maior, de profissão pescador, originário de Betsaida, como Pedro e André, ocupa um lugar de primeiro plano no elenco dos apóstolos. O autor do quarto Evangelho e do Apocalipse, será classificado pelo Sinédrio como indouto e inculto. No entanto, o leitor, mesmo que leia superficialmente os seus escritos, percebe não só o arrojo do pensamento, mas também a capacidade de revestir com criativas imagens literárias os sublimes pensamentos de Deus. A voz do juiz divino é como o mugido de muitas águas.
João é sempre o homem da elevação espiritual, mais inclinado à contemplação que à acção. É a águia que desde o primeiro bater das asas se eleva às vertiginosas alturas do mistério trinitário: "No princípio de tudo, aquele que é a Palavra já existia. Ele estava com Deus e ele mesmo era Deus."
Ele está entre os mais íntimos de Jesus e nas horas mais solenes de sua vida João está perto. Está a seu lado na hora da ceia, durante o processo, e único entre os apóstolos, assiste à sua morte junto com Maria. Mas contrariamente a tudo o que possam fazer pensar as representações da arte, João não era um homem fantasioso e delicado. Bastaria o apelido humorista que o Mestre impôs a ele e a seu irmão Tiago: "Filhos do trovão" para nos indicar um temperamento vivaz e impulsivo, alheio a compromissos e hesitações, até aparecendo intolerante e cáustico.
No seu Evangelho designa a si mesmo simplesmente como "o discípulo a quem Jesus amava." Também se não nos é dado indagar sobre o segredo desta inefável amizade, podemos adivinhar uma certa analogia entre a alma do Filho do homem e a do filho do trovão, pois Jesus veio à terra não só trazer a paz mas também o fogo. Após a ressurreição, João está quase constantemente ao lado de Pedro. Paulo, na epístola aos gálatas, fala de Pedro, Tiago e João como colunas na Igreja.
No Apocalipse, João diz que foi perseguido e degredado para a ilha de Patmos "por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus Cristo". Conforme uma tradição unânime ele viveu em Éfeso em companhia de Maria e sob o imperador Domiciano foi colocado dentro de uma caldeira com óleo a ferver, mas saiu ileso e todavia com a glória de ter dado testemunho. Depois do exílio de Patmos voltou definitivamente para Éfeso, onde exortava continuamente os fiéis ao amor fraterno, resultando em três cartas, acolhidas entre os textos sagrados, assim como o Apocalipse e o Evangelho. Morreu carregado de anos em Éfeso durante o império de Trajano (98-117), onde foi sepultado.